“Não vi nada e não fiz nada de errado”, afirmou o ex-presidente democrata (1993-2001) na sua declaração inicial perante a Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos, no âmbito da investigação sobre o criminoso sexual e pedófilo Jeffrey Epstein, publicada na rede social X.
“Mesmo em retrospetiva, não vi nada que me tenha alertado”, insistiu o ex-presidente perante a comissão dominada por congressistas republicanos.
Também reafirmou ter-se distanciado de Epstein mais de uma década antes da sua morte numa prisão federal em Nova Iorque em agosto de 2019.
O depoimento de Bill Clinton, que decorre por videoconferência à porta fechada em Chappaqua, no estado de Nova Iorque, acontece um dia depois da mulher e ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton ter sido ouvida pela mesma comissão.
É a primeira vez que um ex-chefe de Estado norte-americano é obrigado a depor perante uma comissão do Congresso.
Bill Clinton também não foi acusado de qualquer irregularidade, no entanto, os congressistas optaram por debater o que significa responsabilização nos Estados Unidos numa altura em que várias figuras a nível internacional foram destituídas dos respetivos cargos de alto nível por terem mantido ligações a Epstein, mesmo depois de o consultor financeiro e milionário ter sido declarado culpado em 2008 de acusações estaduais na Florida por aliciar uma menor para prostituição.
“Homens — e mulheres, aliás — de grande poder e grande riqueza de todo o mundo conseguiram escapar impunes de muitos crimes hediondos e não foram responsabilizados, nem sequer tiveram de responder a perguntas”, disse o presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes, o republicano James Comer, antes do início do depoimento.
“Ninguém está a acusar ninguém de qualquer irregularidade, mas acho que o povo americano tem muitas perguntas”, disse Comer.
Lusa