Em Chappaqua, vila do estado de Nova Iorque onde o casal Clinton reside e onde os testemunhos estão a decorrer, David, um residente de uma cidade vizinha, segurava um carta com a frase: “Quando é que Donald Trump será interrogado?!”.
“O que se está a passar aqui é um circo. (…) Não havia nenhum motivo para Hillary Clinton ser ouvida na quinta-feira, não havia novas informações para serem fornecidas. Por outro lado, não entendo porque é que a atual primeira-dama, Melânia Trump, não está a ser ouvida”, argumentou o morador de Mount Kisco, em declarações à agência Lusa.
“Há várias fotos da Melânia com Jeffrey Epstein, ela tinha ligações com ele que estão documentadas. Ela e Donald Trump certamente que teriam muito mais informações para fornecer sobre Epstein”, acrescentou o eleitor.
O perímetro de segurança montado pelos serviços secretos norte-americanos impediam este norte-americano de se aproximar do Centro de Artes de Chappaqua, onde a antiga secretária de Estado e o ex-presidente prestam depoimento aos congressistas da Comissão de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes.
Dessa forma, David fez o seu protesto a cerca de 300 metros de distância de onde o testemunho estava a ser captado, enquanto ouvia o relato via rádio sobre esse mesmo depoimento.
À Lusa, o sexagenário disse acreditar que os testemunhos dos Clinton não passam de uma “distração, para tirar o foco das pessoas que realmente abusaram daquelas raparigas”.
“Eles (republicanos ) sabem quem são essas pessoas e uma delas está sentada na Casa Branca”, disse, referindo-se ao atual Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Há ainda muita investigação a fazer, mas espero e acredito que a verdade virá ao de cima”, declarou.
Visão semelhante tem sido proferida por vários congressistas e figuras democratas, que esperam conseguir forçar Donald Trump a um testemunho sob juramento.
“Se os republicanos levassem a sério a investigação de Epstein, eles estariam a concentrar-se no facto de que o Departamento de Justiça foi exposto por ocultar documentos de Epstein que têm a ver com o Presidente Trump sendo acusado de abuso sexual”, afirmou o congressista democrata Robert Garcia, membro da Comissão de Supervisão, em comunicado.
“É hora de trazer o Presidente Trump para testemunhar sob juramento”, instou Garcia.
Numa conferência de imprensa acompanhada pela Lusa, em frente ao Centro de Artes de Chappaqua, a congressista democrata Yassamin Ansari classificou a audição de Hillary Clinton como um “‘show de palhaços’”, “incrivelmente pouco sério”, lamentando que os republicanos estivessem “mais preocupados em obter fotos do processo que decorria a portas fechadas do que responsabilizar alguém”.
A audição da ex-primeira-dama esteve interrompida após a divulgação de uma fotografia da sessão, que não deveria ser pública, pela congressista republicana Lauren Boebert, do Colorado.
Os democratas manifestaram também desilusão pelo facto de os republicanos terem aproveitado a audição para questionar Hillary Clinton sobre Objetos voadores não identificados (OVNI) e teorias da conspiração.
Hillary Clinton foi ouvida na quinta-feira, enquanto a audição de Bill Clinton está a decorrer hoje, na vila onde reside, a cerca de 50 quilómetros a norte da cidade Nova Iorque e com uma população de cerca de três mil pessoas.
É a primeira vez que um ex-presidente dos Estados Unidos é obrigado a depor perante o Congresso.
Bill Clinton tem sido apontado por republicanos como um dos focos da investigação sobre o caso Epstein, após a divulgação, em janeiro, de fotografias suas incluídas no primeiro lote de ficheiros tornados públicos pelo Departamento de Justiça, embora não tenha sido acusado de qualquer irregularidade.
A investigação da Comissão procura esclarecer por que razão o Departamento de Justiça, em administrações anteriores, não apresentou novas acusações federais contra Epstein após um acordo judicial em 2008, no qual este se declarou culpado na Florida por aliciar uma menor para prostituição.
Lusa