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Imagem de Bloqueio de Internet dura há uma semana em plena repressão de protestos
Foto: Reuters
Política 15 jan, 2026, 20:00

Bloqueio de Internet dura há uma semana em plena repressão de protestos

O bloqueio da Internet no Irão manteve-se hoje ao fim de uma semana, desde o corte iniciado em 8 de janeiro, segundo a organização de monitorização de cibersegurança Netblocks, no seguimento dos protestos antigovernamentais fortemente reprimidos pelas autoridades.

“Há exatamente uma semana, o Irão mergulhou na escuridão digital quando as suas autoridades bloquearam a Internet em todo o país”, afirmou a organização não-governamental (ONG) nas redes sociais.

O serviço de Internet por satélite Starlink, da SpaceX, suspendeu as suas tarifas para permitir que os manifestantes no Irão enviassem atualizações sobre a situação na República Islâmica, após o bloqueio de telecomunicações.

A SpaceX, detida pelo bilionário Elon Musk, não anunciou oficialmente a decisão e não respondeu a um pedido de comentário solicitado pela Associated Press (AP), mas ativistas disseram à agência noticiosa que o Starlink, proibido no Irão, está disponível gratuitamente para qualquer pessoa que possua os recetores desde terça-feira.

“O Starlink tem sido crucial”, comentou Mehdi Yahyanejad citado pela AP, um iraniano cuja organização sem fins lucrativos Net Freedom Pioneers ajudou a contrabandear unidades para o Irão.

O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.

As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel.

Os protestos que desafiam a teocracia iraniana pareciam hoje cada vez mais sufocados, segundo descreve a AP, uma semana depois de as autoridades terem isolado o país do mundo e intensificado uma repressão sangrenta que, segundo vários balanços divulgados por organizações de defesa de direitos humanos, já provocou milhares de mortos, feridos e detidos.

A possibilidade de retaliação dos Estados Unidos pelas mortes de manifestantes ainda paira sobre a região, embora o Presidente norte-americano, Donald Trump, tenha sinalizado um possível abrandamento da tensão, alegando que os assassínios pareciam estar a chegar ao fim.

Na capital iraniana, Teerão, testemunhas relataram à AP que as manhãs recentes não apresentavam novos sinais de fogueiras acesas na noite anterior ou de destroços nas ruas.

O som dos tiros, que tinha sido intenso durante várias noites, também abrandou.

Os meios de comunicação social estatais iranianos anunciaram uma série de detenções, visando aqueles a quem chamam “terroristas”, enquanto também procuravam aparentemente antenas parabólicas da Starlink.

“Desde 08 de janeiro que assistimos a uma guerra declarada, e qualquer pessoa que tenha estado presente desde então é criminosa”, disse o ministro da Justiça, Amin Hossein Rahimi, noticiou a agência Mizan, ligada ao poder judicial, na quarta-feira.

Os meios de comunicação social estatais divulgaram uma lista de danos causados pelo que chamou de “operação terrorista”, incluindo estragos em centenas de lojas e edifícios públicos, dezenas de carros e ambulâncias e vários “patrimónios históricos”, incluindo mesquitas e santuários.

O líder do poder judicial iraniano, Gholamhossein Mohseni-Ejei, indicou na quarta-feira que haverá julgamentos rápidos e execuções para suspeitos detidos, enquanto ativistas alertam que sessões de enforcamentos poderão ocorrer em breve.

De acordo com a agência France-Presse (AFP), o chefe do poder judicial iraniano conduziu pessoalmente interrogatórios de manifestantes perante as câmaras da televisão estatal, aumentando os receios entre os defensores dos direitos humanos de “confissões forçadas”, encenadas para semear o medo no país.

Nos últimos dias, a televisão estatal transmitiu dezenas de vídeos de interrogatórios de manifestantes, segundo organizações não-governamentais, conduzidos pelo próprio chefe do sistema judicial. Todos parecem confessar sem resistência às acusações.

“A transmissão de confissões obtidas sob coação e tortura, antes de qualquer processo legal, viola a presunção de inocência”, acusou a ONG Iran Human Rights (IRHNGO), com sede em Oslo.

De acordo com dados divulgados na quarta-feira pela IRHNGO, pelo menos 3.428 pessoas foram mortas durante o movimento de protesto, com base em informações confirmadas diretamente pela organização ou com base em testemunhas e fontes médicas e de morgues.

Estimativas de outras organizações apontam para um mínimo de 2.637 mortos e acima de 12 mil.

Todas as organizações iranianas e internacionais destacam porém a dificuldade de alcançar a dimensão real da repressão dos protestos, face à ausência de números oficiais e ao bloqueio total da Internet no país desde há uma semana.

Teerão confirmou apenas que mais de 150 membros das forças de segurança foram mortos até ao momento, mas ainda não divulgou números sobre civis, alegando que os processos de identificação ainda estão em curso.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se hoje para discutir a situação no Irão, a pedido da representação norte-americana.

Lusa

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