“Devo dizer que, não obstante as muitas dificuldades deste mandato, fiz sempre o esforço para dignificar a instituição, respeitar o sufrágio dos portugueses e garantir o debate democrático. Seguramente foram cometidos erros, é humano que isso aconteça, mas tenho a minha consciência tranquila quanto à seriedade do trabalho que me esforcei por desenvolver”, disse José Pedro Aguiar-Branco.
No final da reunião plenária, com uma maratona de votações, o presidente do parlamento despediu-se dos deputados, indicando que este foi o último plenário a que presidiu.
Aguiar-Branco agradeceu aos grupos parlamentares “o registo de lealdade que aconteceu na maior parte das vezes” e disse esperar que tenham “sentido o mesmo registo de lealdade” da sua parte.
O presidente da Assembleia da República agradeceu aos membros da Mesa “o trabalho de solidariedade e de grande colaboração e competência que deram, e se esforçaram por fazer uma gestão dos plenários dentro do quadro democrático de muita fragmentação que honrasse também a instituição”.
“Agradeço a todos, todos os quadrantes políticos e também aos senhores vice-presidentes que ajudaram com a sua elevada competência a que não houvesse hiatos no que diz respeito à gestão desta Mesa”, acrescentou.
Aguiar-Branco disse que foi “uma honra” exercer este cargo e que termina o mandato “com a consciência de ter, pelo menos, feito o melhor para que a instituição saísse dignificada”.
Nas bancadas, o deputado Hugo Carneiro, do PSD, agradeceu a todos o trabalho “apesar das divergências” e deixou votos de uma “boa campanha”, desejando que seja “esclarecedora e feita pela positiva, para que os portugueses possam decidir em consciência”.
Agradeceu a José Pedro Aguiar-Branco “o seu empenho e trabalho e as inovações que trouxe”, nomeadamente em relação à “gestão dos tempos” de intervenção dos deputados, que passaram a ser cortadas após uma pequena tolerância.
A deputada do PS Alexandra Leitão disse ter sido “um gosto e uma honra liderar a bancada do Grupo Parlamentar do Partido Socialista” e relacionar-se “com todos os outros grupos parlamentares” nesta “curta legislatura”, em que houve “disputas normais e debates normais, que são até salutares, embora às vezes um bocadinho excessivos”.
O líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, agradeceu a Aguiar-Branco “a paciência” que teve com todas as bancadas e a sua “lealdade institucional” e desejou “muita força a todos” nas respetivas lutas políticas.
Pela IL, Mariana Leitão referiu que o último ano “teve altos e baixos”, mas considerou que os deputados conseguiram introduzir “algumas mudanças e promover essas mudanças para o bem das pessoas no país”.
Fabian Figueiredo, pelo BE, assinalou que foi mantida a “lealdade institucional” apesar de haver divergências em algumas ocasiões, cumprimentando também as funcionárias da limpeza do parlamento, “tantas vezes invisíveis”, e os trabalhadores dos bares e restaurantes, depois de outros partidos terem também agradecido aos serviços da Assembleia, às forças de segurança e aos jornalistas.
A líder parlamentar do Livre disse que o partido discordou muitas vezes da forma como Aguiar-Branco “geriu a Assembleia e conduziu os trabalhos”, mas desejou-lhe “toda a felicidade” e, pelo PCP, a líder parlamentar, Paula Santos, disse que, apesar das divergências com outros partidos, os comunistas tentaram “sempre pautar a intervenção com seriedade, num debate político com argumentação fundamentada”.
Pelo PAN, Inês Sousa Real disse que Aguiar-Branco “dignificou e honrou o cargo” e desejou a todos “um debate elevado” durante a campanha eleitoral.
“Sejam felizes”, despediu-se o presidente do parlamento, aplaudido de pé por todos os deputados no hemiciclo e na Mesa.
Lusa