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Emigrante há 51 anos na Venezuela não pensa regressar
Local 12 jul, 2016, 17:21

Emigrante há 51 anos na Venezuela não pensa regressar

Apenas regressaria numa situação limite

Maria Fernandes, natural de São Roque do Faial, há 51 anos na República Bolivariana da Venezuela, afirma que, apesar das dificuldades por que passa o país, só uma situação "limite" é que a faria regressar à ilha da Madeira.

"Espero nunca ter que tomar a decisão de deixar definitivamente a Venezuela", disse à agência Lusa, quando confrontada com a situação politica e económica do país de acolhimento, caracterizada pelo embate entre os partidários do atual governo de Nicolas Maduro e a oposição venezuelana, pela inflação alta, escassez e racionamento de bens de primeira necessidade e a falta de segurança.

Maria Fernandes, à semelhança de muitos madeirenses que na década de 1960 emigraram para os quatro cantos do mundo, partiu com a mãe, aos nove anos de idade, no navio Caribe C, para a República de Simon Bolívar, cumprindo, assim, o chamamento do pai que já se encontrava, há cerca de oito anos, estabelecido na Venezuela onde possuía uma "carniçaria", conta.

De férias na Madeira desde 4 de maio, onde passa todos os anos uma temporada de três a quatro meses, dependendo de "como vão as coisas", Maria Fernandes declara, sem hesitação, de que não foi a situação na Venezuela que a fez vir: "venho todos os anos à Madeira".

Reconhece, no entanto, que a situação naquele país da América do Sul "é difícil", apontando que "o que é mais grave é a falta de segurança e de medicamentos. Esta é a minha opinião".

"A comida está muito cara, há escassez de alimentos mas se hoje não se pode comer carne, come-se peixe, se amanhã não se pode comer peixe, come-se carne e, assim, se vai contornando, mas, os medicamentos, de toda a classe, é muito difícil de obter", observa, acrescentando que as pessoas sempre podem recorrer aos Estados Unidos "mas há que ter os dólares".

A par das dificuldades na aquisição de medicamentos, Maria Fernandes elege a "falta de segurança" como outro contratempo importante.

"O confronto político entre o Governo e a oposição e os malandros que roubam e matam são os dois aspetos da falta de segurança", realça.

Maria Fernandes diz, porém, que adora a Venezuela: "é um país que devo muito, ajudou os meus pais, a minha irmã nasceu lá, mas curiosamente a minha irmã está cá na Madeira e eu, que sou a madeirense, estou lá, tenho lá os meus filhos e os meus netos, é um país que adoro igual que adoro a Madeira".

Confrontada se não a surpreende que um país com os recursos que a Venezuela possui esteja na situação em que está, Maria Fernandes responde: "confusão faz mas, mais do que confusão, faz tristeza porque eu sempre digo, eu não sou emigrante, eu simplesmente tenho duas pátrias, adoro as duas, Portugal, e neste caso, a Madeira, e a Venezuela".

Esta madeirense radicada há 51 anos na Venezuela manifesta, no entanto, ter "esperança e fé que a situação vai melhorar porque é um país espetacular" e defende que "não importa que seja a oposição ou o oficialismo que esteja no poder, o que importa é que quem mande, mande para bem de todos os venezuelanos".

"Espero nunca ter que tomar a decisão de ter que deixar, definitivamente, a Venezuela, penso que seria a última coisa que faria e apenas numa situação limite em que visse que não íamos chegar a nada, mas tenho esperança", conclui.

A Venezuela enfrenta uma crise política desde o início de 2014 acentuada com a vitória nas legislativas de dezembro de 2015 da oposição, que pretende a organização de um "referendo revogatório" para destituir o Presidente Nicolas Maduro.

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