Questionado pela Lusa, durante uma conferência de imprensa, sobre se acredita que a proposta da Air France-KLM é superior à da Lufthansa, o responsável respondeu que o grupo só avançou com a candidatura porque considera que apresenta uma oferta mais forte.
“Estamos confiantes de que a oferta financeira da [Air France-KLM] é suficientemente sólida para ser considerada aceitável pelo Estado português”, referiu Benjamin Smith.
O responsável sustentou que um dos principais argumentos da Air France-KLM é o modelo de gestão descentralizado, apontando o exemplo da KLM, cuja identidade e autonomia foram preservadas desde a criação do grupo, há mais de duas décadas.
Segundo o gestor, a experiência acumulada na integração de companhias aéreas demonstra capacidade para gerir transportadoras nacionais respeitando os seus interesses estratégicos.
Benjamin Smith disse ainda que a estabilidade das relações laborais constitui outro dos pontos fortes da Air France-KLM, referindo que o grupo mantém um clima de paz social há mais de oito anos e que conseguiu alinhar os parceiros sociais com a estratégia empresarial.
De acordo com o responsável do grupo, estes fatores são “elementos que o Estado português transmitiu como extremamente importantes”.
Apesar de não ter revelado o valor da proposta apresentada ao Governo, o CEO salientou que o objetivo do grupo é desenvolver todas as sinergias possíveis com a TAP.
Estas sinergias abrangem a rede de rotas, o transporte de carga, os programas de fidelização e a gestão.
Questionado sobre eventuais futuras instalações de manutenção aeronáutica (MRO) associadas à TAP, o responsável afirmou que ainda não existe uma decisão sobre a localização.
Contudo, admitiu que Lisboa seria a opção mais lógica, uma vez que o grupo já dispõe de instalações e de recursos humanos na capital portuguesa para desenvolver essa atividade.
O CEO sublinhou, porém, que essa discussão só avançará caso a Air France-KLM seja escolhida como parceiro estratégico da TAP.
O grupo aéreo candidato à privatização da TAP registou no primeiro semestre um prejuízo de 61 milhões de euros, contra um lucro líquido de 401 milhões de euros registado no período homologo.
Na quarta-feira, a Air France-KLM e a Lufthansa entregaram, no último dia do prazo, propostas vinculativas no processo de privatização da TAP, que entra na terceira e última etapa obrigatória.
A proposta vinculativa da Air France-KLM para a privatização da TAP prevê uma aliança com a Delta Air Lines, parceira do grupo, nas ligações para o Atlântico Norte, e instalar uma nova unidade de manutenção em Portugal.
Em comunicado, o grupo referiu que o seu plano estratégico para a TAP assenta no desenvolvimento de “atividades de Manutenção, Reparação e Revisão aeronáutica (MRO) em Portugal em colaboração com a TAP Maintenance & Engineering”, de quem é parceira há mais de 20 anos.
O responsável acrescentou que o grupo considera que “Portugal é um excelente local para instalar um centro de serviços partilhados”.
Segundo explicou, a Air France-KLM já dispõe de um centro de serviços partilhados em Budapeste (Hungria), mas acredita que Portugal reúne condições para desenvolver uma operação ainda mais abrangente nesta área.
Na quarta-feira, o grupo admitiu ainda a “abertura de novas instalações de manutenção aeronáutica em zonas-chave de Portugal, dedicadas à manutenção de aeronaves e motores de última geração”, dando acesso à TAP às áreas do digital e da integração da Inteligência Artificial (IA) na área de manutenção.
Lusa