À entrada do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, antes da viagem para Madrid, onde o Benfica vai defrontar o Real, na segunda mão do play-off da Liga dos Campeões, Rui Costa falou pela primeira vez da acusação a Prestianni, por alegados insultos racistas ao brasileiro Vinicius Júnior, na primeira mão.
“Eu não estou dentro do campo para saber o que é que se foi dito ou não dito. Como devem calcular, numa situação daquelas, muita coisa é dita. Agora, aquilo em que nós acreditamos é na palavra do nosso jogador. […] Prestianni está a ser classificado como uma pessoa racista e isso eu posso garantir que é tudo menos racista. Portanto, é essa confiança que nós temos no jogador”, assegurou Rui Costa.
O presidente das ‘águias’ reforçou que “o Benfica, ao longo da sua história, tem sido um exemplo de inclusão, de não ao racismo” e lembrou que o clibe “tem na sua bandeira maior, um jogador africano”, em referência a Eusébio.
“É evidente que falámos todos, é evidente que houve uma conversa com toda a gente, é evidente que esta situação é incómoda para toda a gente. É incómoda para o clube, é incómoda para o jogador, que está a ser crucificado, e garanto que não se trata de um jogador racista, caso contrário não representaria o Benfica, e portanto, foi uma semana complicada para toda a gente”, disse.
Rui Costa abordou ainda a suspensão preventiva de Prestianni, da qual o Benfica recorreu, por entender que “nada está provado e, portanto, que não justifica a ausência do jogador neste jogo”, com o argentino a integrar a comitiva para Madrid, e criticou o facto de o médio Federico Valverde não ter sido castigado, após uma queixa dos ‘encarnados’, por uma agressão a Dahl, na primeira mão.
“Também pensávamos que a UEFA olhasse para um caso, uma coisa não elimina a outra. […] Também não podemos, com a situação Prestianni, esquecer aquilo que se passou no jogo em casa e, portanto, pareceu-nos claro e evidente que há uma agressão clara do Valverde e que deveria ficar fora deste jogo”, criticou.
Sobre o encontro de quarta-feira, para o qual o Benfica parte com uma desvantagem de 1-0, Rui Costa falou num “grau de dificuldade elevadíssimo”, mas afiançou que “a ambição e a crença é inabalável”, mesmo jogando em casa do clube que tem mais Ligas dos Campeões conquistadas.
“Nós partimos mal para esta competição. Partimos muito mal para esta competição com quatro derrotas seguidas e, quando toda a gente nos dava fora desta fase, nós acabávamos por ter um final de prova brilhante e, como eu disse anteriormente, lutámos muito para estar aqui. A vitória com o Real Madrid na última jornada da fase de grupos permitiu-nos isso com grande valentia e agora estamos numa eliminatória dificilíssima”, assumiu.
Na terça-feira, na primeira mão do play-off de acesso aos oitavos de final da ‘Champions’, que o Real Madrid venceu por 1-0, o avançado brasileiro Vinicius Júnior, após ter marcado o único golo do jogo, terá sido alegadamente vítima de insultos racistas por parte do argentino Gianluca Prestianni, extremo do Benfica.
O árbitro francês François Letexier interrompeu o encontro e acionou o protocolo antirracismo, retomando a ação quase 10 minutos depois.
Após a partida, que decorreu no Estádio da Luz, Prestianni negou qualquer insulto racista a Vinicius Júnior, enquanto o internacional brasileiro e outros jogadores do Real confirmaram a ofensa por parte do argentino.
Lusa