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Agressões aos árbitros num jogo do CAB motivam criação de código de conduta
Desporto 11 abr, 2016, 16:34

Agressões aos árbitros num jogo do CAB motivam criação de código de conduta

A Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB) vai criar um novo código de conduta para combater os "casos isolados de violência" que ultimamente têm surgido, anunciou hoje o presidente do organismo, Manuel Fernandes.

"O basquetebol não é um desporto violento. Nos últimos tempos surgiram alguns casos isolados nos nossos pavilhões que têm de ser banidos. Já estamos a trabalhar nesse sentido", disse à agência Lusa o presidente federativo.

Recentemente, num encontro da Liga feminina, António Montes, vice-presidente do CAB MAdeira, invadiu a zona restrita do jogo e agrediu os árbitros Bruno Camacho e José Henriques. Numa partida da I Divisão feminina, um espetador do Juvemaia invadiu o campo e agrediu a pontapé a jogadora Martina Roques, do Algés.

Em ambos os casos a segurança não funcionou e não existia policiamento no local. Desde setembro de 2011, deixou obrigatória a presença de autoridades policiais nos pavilhões, as quais podem ser substituídas por agentes de segurança escolhidos e nomeados pelos próprios clubes.

"Numa próxima reunião de direção vamos discutir este tema e vamos criar um novo código de conduta, o qual será distribuído pelos espetadores nos pavilhões. Pretendemos sensibilizar toda a gente para este problema. Público, jogadores, treinadores, dirigentes e árbitros", afirmou Manuel Fernandes.

O presidente da FPB recordou que ainda recentemente a federação criou um cartão branco para incrementar valores como o ‘fair play’ e promete castigar os prevaricadores. "Temos de aplicar sanções exemplares. E o Conselho de Disciplina tem funcionado de forma célere", frisou.

Muitos agentes da modalidade consideram que as sanções previstas no regulamento do Conselho de Disciplina não são suficientes. Os casos de agressões a árbitros e outros agentes da modalidade variam entre os dois e os 18 meses de suspensão. E na lei já não existe a figura da irradiação dos recintos desportivos.

Há quem defenda o aumento das penas e o regresso do policiamento obrigatório aos pavilhões, como é o caso de Paulo Alves, presidente da Associação de Juízes de Basquetebol.

Rui Valente, presidente do Conselho de Arbitragem da FPB, considera que voltar a exigir policiamento obrigatório nos pavilhões é uma tentação fácil e que o aumento isolado do valor das penalizações não irá resolver o problema.

"Quantos casos de agressão a árbitros e outros agentes desportivos não têm ocorrido em jogos policiados?", questionou Rui Valente, acrescentando que não basta exigir da federação a resolução destas questões e que é preciso de envolver os clubes, criando uma cultura maior de responsabilização.

Pinto Alberto, dirigente responsável pelas principais competições organizadas pela FPB advertiu que os casos de agressões nos recintos desportivos nacionais não são um exclusivo do basquetebol e que é um problema transversal à sociedade portuguesa.

"A principal razão é a má forma formação cívica das pessoas. E o mais grave é que os piores casos têm ocorrido em jogos dos escalões de formação. Como é que conseguimos controlar as emoções dos pais dos miúdos?", interrogou-se Pinto Alberto, considerando que "aumentar as sanções e colocar mais polícias nos pavilhões são medidas que só servem para mascarar o problema".

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