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Imagem de Identificado buraco negro estelar mais denso da Via Láctea
Foto: ESO/L Calçada
Ciência 16 abr, 2024, 16:27

Identificado buraco negro estelar mais denso da Via Láctea

Uma equipa internacional de cientistas, incluindo investigadores de Portugal, identificou o buraco negro estelar mais denso da Via Láctea, com uma massa 33 vezes superior à do Sol, anunciou hoje o Observatório Europeu do Sul (OES).

O buraco negro – corpo denso de cuja gravidade nada escapa, nem mesmo a luz – foi detetado em dados da missão Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA) através de um movimento de ‘oscilação’ estranho que impõe à estrela que o orbita, refere o OES em comunicado, acrescentando que a massa do buraco negro BH3 foi calculada com base em informação registada pelo telescópio VLT do OES, no Chile, e outros telescópios em terra.

André Moitinho e Márcia Barros, investigadores e professores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (UL), assinam o trabalho, publicado na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

À Lusa, André Moitinho, investigador do Centra – Centro de Astrofísica e Gravitação da UL, disse que “é de longe o maior buraco negro estelar encontrado na Via Láctea”, com o “tipo de massa envolvida na produção de ondas gravitacionais que começaram a ser recentemente detetadas em outras galáxias”.

Os buracos negros estelares formam-se a partir da explosão de uma grande estrela, por ação do seu próprio peso, e os da Via Láctea são, em média, menos densos do que o BH3 – têm cerca de 10 vezes a massa do Sol.

O BH3 está a 2.000 anos-luz da Terra, na constelação da Águia, sendo “o segundo buraco negro mais próximo” do ‘planeta azul’, assinala o OES, organização astronómica da qual Portugal faz parte.

Os dados recolhidos pelo telescópio VLT revelam que a companheira da estrela que orbita o buraco negro é pobre em metais, o que sugere, de acordo com os autores do trabalho, que “a estrela que colapsou para formar o BH3 seria também pobre em metais, tal como previsto pela teoria”.

Segundo o astrofísico André Moitinho, “do ponto de vista teórico, só estrelas muito velhas, formadas quando o Universo ainda tinha produzido muito pouco dos elementos químicos” que hoje se conhecem, “podem dar origem a buracos negros com massas tão grandes”.

A missão Gaia, da ESA, foi lançada em 2013 e tem no espaço uma sonda para mapear a Via Láctea, galáxia onde se situa o Sistema Solar, de que faz parte a Terra.

A descoberta do buraco negro BH3, inferida pelo movimento que impõe à estrela que o orbita, foi feita durante operações de rotina de processamento de dados.

“A partir de agora, a missão Gaia, além de estar a criar um mapa 3D da nossa galáxia, de cortar a respiração, passa também a ser uma máquina de descobrir buracos negros”, realçou André Moitinho.

Lusa

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